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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Liturgia Luterana: Credo até a Oração Geral

Credo

O credo é a confissão de nossa santa fé cristã, o qual se baseia na Palavra de Deus. Esta confissão é uma sequência lógica à leitura da Santa Escritura. Há três credos: Apostólico, Niceno e Atanasiano.

Apostólico: Tem esse nome por ter reunido os ensinos dos apóstolos que consequentemente são os ensinos de Cristo. Há evidencias que este credo começou a ser usado em 150, mas a forma definitiva como temos hoje ficou pronta em 750.

Niceno: Este credo foi escrito no concílio de Nicéia em 325. Foi escrito para eliminar heresias que estavam entrando na igreja. A forma como temos hoje foi aprovada no Concílio da Calcedônia em 451. É a principal confissão da igreja cristã.

Atanasiano: Tem esse nome porque no início pensava-se que Atanásio tinha escrito, depois descobriu-se que não foi ele que escreveu, mesmo assim o nome permaneceu. Ninguém sabe ao certo que ou em que ano foi escrito. Raramente é usado nos cultos.

A confissão de fé pode ser feita tanto antes como depois do sermão. Tendo em vista que na Ordem principal I está após o sermão e na Ordem principal II está antes do sermão. 

Por ser uma confissão de fé, o oficiante fica de frente para a congregação para confessar a fé. Não é uma oração é uma confissão. A grande maioria das pessoas baixa a cabeça e fecha os olhos neste momento, acho mais interessante levantar a cabeça e de olhos abertos com confiança, confessar no que se crê. 

Sermão

O sermão tem que estar de acordo com o tema do dia. É importante que esteja baseado nas leituras do dia. Preferivelmente o Evangelho, mas pode ser sobre outro texto. O sermão traz luz aos textos que foram lidos no culto e são aplicados à vida dos congregados.

Ofertas

Neste momento levamos até o altar do Senhor um pouco daquilo que Ele nos deu. Esse é um momento de demonstração de fé e confiança em Deus. Também é uma resposta à sua Palavra. 

No momento em que se leva as oferta até o altar, pode ser levado também os elementos da Santa Ceia, mas temos que ter em mente que os elementos da Ceia não são uma oferta nossa, assim como ficou entendido na idade média.

Oração Geral

Oração Geral ou a Oração da Igreja. Há coisas pelas quais a igreja precisa orar dominicalmente e em dias de festas: a própria igreja e sua ação no mundo, os inimigos da igreja, a unidade, a verdade e concórdia na igreja, a concordância dos filhos quanto à Palavra, os sofredores, as ocupações, as calamidades, as bênçãos de Deus, o governo, as ofertas que trouxemos como nossa resposta à Palavra, as boas obras, a vida e caridade cristãs, o ministério e os ministérios.

Essa oração precisa expressar a nossa preocupação pelo mundo inteiro - não só por nós mesmos e pela nossa congregação, conforme a Palavra de Deus no orienta em 1 Tm 2.1-2:  "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito."


Esse por enquanto, será o ultimo estudo sobre a Liturgia Luterana.

Pastor Marcelo Götz


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Liturgia Luterana: Leituras bíblicas

     Foram selecionados certos trechos das Escrituras para serem lidos em acordo com a ordem do ano eclesiástico. Para cada domingo foi designada uma leitura do Antigo Testamento, um trecho tirado de uma das Epístolas, e outra dos quatro Evangelhos. Isso é a Trienal. Trienal porque se repete após três anos.

          Existem as trienais A, B e C. Atualmente estamos lendo a trienal C, a partir do primeiro domingo de Advento começaremos a ler a Trienal A.
            A cada ano é dado atenção especial a um dos evangelhos: Trienal A: Mateus, B: Marcos e C: Lucas. Esse ano o destaque é para o Evangelho conforme Lucas. O Evangelho conforme João é lido aos poucos durante os três anos. A partir de 30/11 (primeiro domingo de Advento) O destaque será para o Evangelho conforme Mateus.

Primeira leitura

      É feito a leitura do Antigo testamento. Algumas vezes (período da páscoa) é substituída por uma leitura do livro de Atos dos Apóstolos, justamente porque o livro de Atos é histórico.

Segunda Leitura

        A segunda leitura é geralmente de uma das epístolas, mas há períodos em que se lê Atos dos Apóstolos e outros que se lê o Apocalipse. É interessante notar que ..."a segunda leitura é composta de leituras contínuas de uma mesma epístola ou livro do Novo Testamento por um período de 3 a 6 semanas. A leitura, porém, não é automática, mas seletiva, apresentando doutrinas, situações éticas e proclamações a respeito de Cristo e de sua vinda."¹

Aleluia

        Após a segunda leitura canta-se o tríplice aleluia, que é uma exclamação de louvor e adoração. Ela antecipa o Evangelho, é uma expressão de alegria pelo Evangelho que será lido.

Evangelho

       O Evangelho é a ultima leitura antes do Sermão. Há um costume de ler o Evangelho com toda a congregação de pé. Muitos autores que consultei para escrever este estudo falam que o Evangelho é a leitura mais importante por ser Palavra de Jesus, e por isso a congregação precisa estar de pé. 
           
           A Bíblia é a Palavra de Deus. É sempre Deus falando conosco. Portanto não se deve dar mais importância a um texto e menos a outro. Ai poderíamos cair no erro de querer escolher o que é Palavra de Deus e o que não é, talvez fui muito longe, mas é um perigo. 

           Portanto, não é necessário que a congregação fique de pé na leitura do Evangelho. A congregação deverá ficar de pé nas três leituras ou em nenhuma, pois tudo é Palavra de Deus. Sabemos que existe o costume, e em muitas congregações é automático levantar para a leitura do Evangelho. Tenhamos cuidado, não transformemos isso em lei. Na nossa congregação, algumas vezes é lido de pé, e em outras vezes é lido com o povo sentado.

            Lembremos também, que quando vamos anunciar a leitura do Evangelho, precisamos falar: Evangelho conforme... Pois não é o Evangelho de Marcos ou de Lucas, é o Evangelho conforme eles escreveram, o livro é inspiração divina.


Semana que vem teremos mais um pequeno estudo sobre a Liturgia Luterana.
Para ler os estudos anteriores clique aqui


 ¹LEHENBAUER, Oscar. O culto principal in Igreja Luterana de 1992 n° 2, pág 48.

                                                                                                                                   Pastor Marcelo Götz

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Liturgia Luterana: Gloria in Excelsis e Coleta

Gloria in Excelsis

         Glória nas alturas. Este é o título latino de uma parte do cântico que os anjos cantaram nas campinas de Belém, quando Cristo nasceu (Lc 2.14). O pensamento que estabelece a conexão entre o Kyrie e o Glória in Excelsis, pode ser ilustrado pela história dos dez leprosos que vieram implorar ajuda a Jesus. Eles suplicavam com insistência, "Senhor, compadece-te de nós", e após terem experimentado a graça de Cristo "um dos dez vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz".¹

         O Goria in Excelsis, expressa a alegria do cristão, de Deus ter enviado seu Filho ao mundo.

          Hoje em dia é uma parte variável, dificilmente é cantada, especialmente na nossa congregação. Apesar de ser considerado por muitos como uma parte da liturgia que sempre deveria estar presente nos cultos. Lutero, deixou isso a critério do pastor.

         Após o Gloria, há uma saudação, na qual o ministro e a congregação se saúdam. Isso leva diretamente à oração da coleta, a qual congregação e ministro se dirigem a Deus.

 Coleta

      Logo após o Kyrie, temos a coleta. Nela são reunidas de maneira concisa, as súplicas de todos os membros da Igreja. Não há uma explicação clara do porque ser chamada de coleta. Alguns dizem que é porque coleta/reúne as súplicas dos presentes no culto. A oração da coleta, também pode ser chamada de oração do dia.

      Esta oração está intimamente ligada ao tema do dia, que foi anunciado no Intróito, posto em súplica no Kyrie, (para saber mais sobre o Intróito e o Kyrie, clique aqui), celebrado no Gloria in Excelsis, e revelado na Santa Escritura, que está por ser lida. É uma ponte entre a preparação para o culto e a proclamação da Palavra.


Semana que vem teremos mais um estudo sobre a liturgia luterana.


Pastor Marcelo Götz

¹ O culto principal in Igreja Luterana de 1952 n° 4-6, pág 100.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Liturgia Luterana: Intróito e o Kyrie

Intróito

         O culto não tem início nem fim, sempre cultuamos a Deus. Mas rendemos culto em conjunto com mais irmãos na igreja, e é no intróito que esse culto começa propriamente dito. A função do intróito é introduzir e anunciar o tema do culto.

       "Originalmente era um Salmo de entrada, cantado (por decreto papal em 432) antifonicamente (responsivamente) por um coro duplo, no momento da entrada do oficiante-celebrante e seus assistentes."¹ Pois a confissão dos pecados era particular, então não tinha a confissão pública na igreja como temos hoje.

       O Intróito consiste de um ou mais versículos chamados de Antífona, seguido por uma parte de um Salmo, representando o Salmo inteiro, concluído pelo Gloria Patri e a repetição da Antífona. A repetição da Antífona serve também para separar definitivamente o Kyrie do Gloria Patri.

         Hoje em dia é mais comum ter a leitura de um salmo sem antífona. O salmo não é considerado leitura porque os salmos eram cânticos do povo de Israel.

        Na leitura do salmo, o ministro pode estar de frente, tanto para o altar como para a congregação. Se for um salmo que fala com Deus, ele deve fazer virado para o altar, se for um salmo que Deus fala com o povo, então deve fazer virado para a congregação.

Glória Patri

         É um dos cânticos litúrgicos mais antigos, faz parte do Intróito. Glória Patri quer dizer Glória ao Pai. É um louvor à Trindade. Para cantar o Glória Patri, o oficiante deve estar de frente para o altar e a congregação de pé.

Kyrie

          Kyrie vem do grego e quer dizer Senhor. É o início de um frase muito conhecida dos gregos: Kyrie, eleison que quer dizer: Senhor, tem piedade. 

        "No tempo do império Romano, era também um pedido que o povo fazia nas vias públicas ao ver passar uma figura importante e poderosa. Essa frase pedia que o rei ou governante tivesse misericórdia...Era uma súplica de pessoas frágeis, impotentes, indefesas - algo como de um condenado suplicando ao rei por perdão."² Temos exemplo desse pedido em Mt 15.22 "Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada.".

            Então, reconhecendo as nossas necessidades, nos achegamos a Deus confiando no seu amor, com corações cheios de uma alegre esperança cantamos "Senhor, tem piedade de nós".


Na próxima sexta-feira teremos mais um estudo.

Para ler os estudo anteriores basta clicar no título do estudo: Estudo 1: Invocação
                                                                                                    Estudo 2: Confissão e Absolvição

Pastor Marcelo Götz


¹ LEHENBAUER, Oscar. O culto principal in Igreja Luterana de 1992 n° 2, pág 33.
² RAYMANN, Acir. Kyrie, eleison in Servas do Senhor de jul/ago/set de 2011, pág 7.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Liturgia Luterana: Alocução confessional, Confissão e Absolvição

         Antes de podermos prestar culto a Deus, é preciso confessar a Ele os nossos pecados e termos certeza de sua misericórdia e graça. Por isso, logo após a Invocação e antes do Intróito, segue a Confissão e Absolvição dos pecados.

Alocução confessional


         É uma parte opcional na liturgia. Ela visa preparar os participantes do culto para a confissão e absolvição de pecados. Os ouvintes são chamados a um sincero arrependimento dos pecados.

Confissão


          Na confissão, nós declaramos publicamente que somos culpados de pecados sabemos e que não sabemos que cometemos. Não é apropriado citar uma variedade de pecados, até porque como é uma confissão pública certamente alguns dos pecados que serão citados algumas pessoas ali presentes podem não ter cometido, pode faltar outros, e de fato irá acontecer. Por isso na Ordem de Culto Principal II e também na I, não são citados os pecados, mas pede-se perdão por todos os pecados em geral. Até porque, pecamos tanto e de tantas formas que jamais poderíamos enumerar todos. Além da confissão pública, podemos e devemos confessar os nossos pecados todos os dias.

Absolvição


         Após a confissão dos pecados é anunciada a graça de Deus. Recebemos a confortadora certeza de que Deus é misericordioso para conosco, e que pela fé em Cristo, nosso Salvador, Deus nos recebe como filhos Dele. Agora sim estamos preparados para o culto a Deus.

O perdão que o pastor dá tem validade?

        Já de início é preciso deixar claro que o valor da absolvição não se baseia em alguma coisa naquele que absolve, assim como o valor da Ceia não está em quem institui ou distribui, mas sim na Palavra de Deus. Jesus deu este poder à igreja, "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus." (Mt 16.19). O pastor então anuncia o perdão de Deus àqueles que estão arrependidos.

       Semana que vem temos mais um breve estudo sobre a Liturgia Luterana. O próximo será sobre o Intróito e o Kyrie.

Para ler o estudo anterior basta clicar aqui.

Pastor Marcelo Götz

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Liturgia Luterana: Invocação

Introdução à série de estudos

     
         Queremos fazer uma série de estudos relacionados com a Liturgia Luterana. Os participantes dos cultos muitas vezes não sabem o porque está sendo feito cada parte da liturgia, então ela passa a ser desnecessária, repetitiva, cansativa. Para que isso não aconteça, vamos estudar parte por parte da liturgia, para entendermos o significado delas estarem ali.

         Toda sexta-feira publicaremos aqui no blog mais um breve estudo sobre a liturgia, nesta primeira postagem iremos estudar a invocação. Sempre que surgir alguma dúvida, pode fazer a pergunta nos comentários, ou deixando um recado, criticas e sugestões são bem-vindas também. No lado direto da página há um campo que pode ser deixado um recado diretamente para o pastor.

           A sequência de estudos seguirá a Ordem do Culto Principal II.

A liturgia desde o início


          A liturgia é a forma ordenada para os diversos atos do culto divino da igreja cristã. Como Paulo diz: "Tudo, porém, seja feito com decência e ordem." (1 Co 14.40). Desde o início sempre havia um ordem nos cultos.

       Nos primeiros tempos da Igreja Cristã, o culto principal compreendia duas partes. Primeira parte: Salmos, hinos, orações, leituras da Bíblia e um sermão. Segunda parte: ofertas, consagração, distribuição do Sacramento e liturgia final. Os membros da Igreja assistiam a ambas as partes, porém aqueles que estavam sendo instruídos, e não eram membros ainda somente tinham permissão de assistir em à primeira parte. Aos poucos isso foi sendo deixado de lado, e todos participavam do culto completo.

      A estrutura usada hoje não é nova. Ela se desenvolveu ao longo de 20 séculos de história da igreja Cristã Ocidental. A estrutura é, basicamente, a mesma usada por Lutero no século XVI e se assemelha, também, às diversas ordens que são usadas pelas diferentes denominações Luteranas no mundo e em nosso continente desde os tempos de Lutero.¹
     

A invocação


            A liturgia é composta por várias partes, das quais umas são fixas (que se repetem) e outras que não são fixas, sempre há a possibilidade de variações e adequações conforme o contexto (quando as leituras falam sobre o perdão, na invocação pode dar ênfase no perdão conquistado por Cristo) .

           Essa é a primeira parte, que seria a Preparação para o culto, que vai até a Absolvição dos pecados. Antes da invocação pode ser feita uma saudação e cantado um hino. É o que geralmente acontece.

          Invoquemos a presença de Deus! Muito comum ouvirmos esta frase, até mesmo em alguns livros que li para fazer esta série de pequenos estudos foi possível encontrar esta afirmação: "na invocação invocamos a presença de Deus". Isso não quer dizer que Deus não está presente no culto antes da invocação. Deus está presente em todos os lugares, está presente no culto antes do pastor fazer a invocação. Então é melhor falar: "invoquemos o nome de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo", para que não dê a ideia de que é preciso invocar a Deus para Ele estar ali.

          É por isso que na nossa liturgia tradicional, tanto a Ordem Principal  de Culto I como a II diz: "Em nome do Pai..." se fosse invocar a presença, estaria assim: "invocamos a presença do Pai, do Filho..." Mas não, a liturgia tradicional diz em nome de quem será realizado o culto. Isso porque a invocação é uma confissão de fé. Vamos realizar um culto, mas vamos fazer isso em nome de quem? qual Deus? Por isso falamos em nome de quem será realizado o culto.  Na invocação pode ser feito o sinal da cruz. Esse é um costume do início da igreja cristã.

        E por Deus estar presente é preciso que haja reverência. Por isso antes de tudo, o pastor faz reverencia no altar. Lembremos do que Deus disse a Moisés quando ele chegou perto de Deus: "tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa." (Ex 3.5). Ou seja, é necessário a reverência.
          
         Semana que vem temos mais um breve estudo sobre a Liturgia Luterana. O próximo será sobre a Confissão e Absolvição.
 

¹LEHENBAUER, Oscar. O culto principal in Igreja Luterana de 1992 n° 2.
          Pastor Marcelo Götz